Coisinhas da Professora Ivanete

2 de mai de 2009

Uma novidade em casa

Um dia comecei a perceber que minha mãe estava barriguda. Ela começou usar roupas mais largas pra disfarçar. Não andava mais naquela bicicleta que não sai do lugar. Não corria mais de uniforme em volta da casa. E não fazia regime, comia feita louca. Estava cada vez mais bochechuda. Corada. Feliz.
Parecia que estava meio biruta também. Andava dando risadinhas pela casa, cantando, falando sozinha.
Eu pensei que era maluquice mesmo. Uma noite, quando já estava todo mundo deitado para dormir, ela fez meu pai se vestir e sair para comprar manga, dizendo que não ia conseguir pregar o olho se não se não comesse manga. E o mai biruta de tudo é que meu pai foi sem reclamar, todo satisfeito. Como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Então percebi que estavam escondendo algum segredo de mim. Minha avó começou a ir mais vezes lá em casa, quase todo dia. Depois ia todo dia. E trouxe uma mala e se mudou de vez. Ela estava com a mesma esquisitice da minha mãe. Ria e cantava à toa. As duas passavam a tarde inteira na frente da televisão, fazendo tricô e falando pelos cotovelo.
Foi pelas coisinhas que começaram a sair das agulhas de tricô que comecei a descobrir o que estava para acontecer : eram só meiazinhas, casaquinhos, gorrinhos... coisinhazinhas que só cabem em nenenzinhosinhos!
Aí ouvi meus pais cochichando na cozinha. Um falava que o outro devia me contar alguma coisa. Minha mãe dizia que meu pai devia ter uma conversa de homem para homem. E meu pai dizia que minha mãe devia me contar o que era para contar, porque senão eu podia ficar achando que ela não gostava mais de mim, sabe como é?
Era aquele monte de bobagem que os adultos falam e pensam que as crianças não entendem. Eles estavam é morrendo de medo de me falar alguma coisa e estavam inventando desculpas. Às vezes os adultos parecem mais crianças que as crianças, coitados, até dá pena. Então resolvi dar uma mãozinha para eles e entrei correndo na cozinha perguntando:
- O que é, hein? O que vocês precisam me contar?
Os dois ficaram com cara de criança que é pega chupando o pirulito que era para chupar só depois do jantar. Eu fiquei com mais pena deles e falei:
- Não precisa ficar com medo não. Pode contar que eu não vou ficar bravo!
Eles então riram meio amarelo e me anunciaram os dois juntos:
- Você vai ganhar um irmãozinho!

Flávio de Souza
A chegada do invasor

Estudo do texto

1 – Explique o significado das expressões abaixo:
Não pregar o olho – não conseguir dormir
Falando pelos cotovelos – falando demais
Sorriso amarelo – sorriso sem graça
(explorar as expressões que as crianças conhecem: chorar de barriga cheia, chorar lágrimas de crocodilo, cara de quem comeu e não gostou...

2 – Escolha uma das expressões acima e faça uma frase.

3 – Responda:
a) Como estavam se sentindo o pai e a avó do menino com a chegada do neném?
b) Quando foi que o menino começou a descobrir que ganharia um irmãozinho?
c) Para você, por que o menino resolveu ajudar os pais a contarem o que estava acontecendo?

Um comentário:

Janaína disse...

Prezada Ivante,
parabéns pelos seus textos. Eu não sou educador, mas sou um pai muito atento à educação dos meus filhos. Assim, não poderia de descuidar da capacidade de interpretar textos, que, na minha opinião, facilita o entendimento de todas as matérias.
Por fim , peço que me envie alguns textos para alunos da 4 série. Muito obrigado.
O meu email é
domingos.jorge1@gmail.com

DOMINGOS JORGE